quinta-feira, 8 de março de 2012

Parabéns! Parabéns?

08 de março de 2012. Dia Internacional da Mulher.

Durante todo o dia, presenciei no trabalho todos cumprimentando as mulheres com um "parabéns!". Comecei a me sentir um alien: por alguma razão, sou incapaz de dar os parabéns para uma mulher neste dia. Na minha equipe, somos em 13 pessoas: 8 mulheres, 5 homens. E, da minha boca, nenhum "parabéns" - mesmo achando que elas esperavam por isso.

À tarde, vou a uma reunião e um gerente tem a capacidade de entregar bombons Kopenhagen às mulheres presentes! Novamente, não consigo falar nada. Minha vontade era de levantar e perguntar a ele o mais direto "pra que porra é isso, na boa?!".

Chegando em casa, aliviado por pensar que a tortura tibetana tinha se acabado, acessei meu facebook e lá estavam mais dezenas de "parabéns, mulheres!". Meu Deus!

Estava na hora, então, de parar e entender a questão. E, em questão de minutos, tudo ficou claro!

Dar os parabéns a uma mulher, hoje, é como dar os parabéns para um panda porque ele nasceu panda. A um índio porque é índio. A um musgo porque é musgo. À minha cueca branca porque ela é branca! Não depende da criatura, porra! Não é um feito, é um fato - simples assim!

Além disso, um "parabéns, mulher" engloba uma vaca de uma Suzane von Richtofen, uma aberração de uma Cristina Kirchner, uma desgraçada de uma Sílvia Calabresi (a madrasta que torturava de formas inimagináveis sua própria filha).

"Parabéns" é para uma mãe que educa (e não simplesmente cria) seus filhos sozinha. Para uma Marta do futebol. Para uma Angela Merkel. Para uma Meryl Streep. Para uma Adele. Para uma margarida que acorda às 4 da manhã para varrer uma cidade de um país de pessoas tão porcas quanto o nosso - e ganhar um salário de merda ao final do mês.

Será que tô viajando!? Faz algum sentido? Ou estou sendo ácido demais?